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10 de maio de 2011

C. S. Lewis: sexo reprimido

Da coletânea “Um ano com C. S. Lewis”
Retirado do livro “Cristianismo puro e simples”

C. S. Lewis: sexo reprimido
 
As pessoas muitas vezes compreendem mal o que a psicologia ensina sobre a “repressão”. Ela nos ensina que sexo “reprimido” pode se tornar perigoso. Porém, a palavra “reprimido” é usada aqui como um termo técnico; ele não significa “suprimido”, no sentido de “negado” ou “recusado”. Um desejo ou pensamento reprimido é o que foi lançado no subconsciente (geralmente na infância) e que agora se apresenta à mente apenas de forma disfarçada e irreconhecível. A sexualidade reprimida não parece ao paciente sequer uma sexualidade. Quando um adolescente ou adulto está empenhado em resistir a um desejo consciente, ele não está lidando com uma repressão, nem correndo o menor perigo de criar uma repressão. Pelo contrário, os que tentam seriamente ser castos são mais conscientes, e logo conhecerão muito mais da sua própria sexualidade do que qualquer outra pessoa. Eles passam a conhecer seus desejos, da mesma forma que Wellington conhecia Napoleão, ou Sherlock Holmes conhecia Moriarty; da mesma forma que um caçador de ratos conhece ratos, ou que um encanador entende de encanamentos. A virtude – mesmo aquela só pretendida – traz luz; o vício gera nevoeiros.

C. S. Lewis: possível ou impossível?

Da coletânea “Um ano com C. S. Lewis”
Retirado do livro “Cristianismo puro e simples”

C. S. Lewis: possível ou impossível?


Muitas pessoas desanimam diante de todas as tentativas sérias de experimentar a castidade cristã, porque acham (antes mesmo de tentar) que ela é impossível. Porém, quando algo deve ser realizado, ninguém jamais deve pensar em termos de possibilidades e impossibilidades. Diante de uma questão opcional formulada em uma prova, costumamos levar em conta se estamos em condições de realizá-la ou não: diante de uma questão compulsória, temos de fazer o melhor que pudermos. Você poderá obter alguns pontos por uma questão imperfeita: certamente não ganhará nada se deixar a questão em branco. Isso não vale apenas para exames, mas também para a guerra, para a escalada de montanhas, para as lições de skate, de natação ou de bicicleta; e até na hora de prender um colar apertado com os dedos gelados, as pessoas geralmente fazem coisas que lhes pareciam quase impossíveis antes de tentar. É maravilhoso ver o que você é capaz de fazer quando é obrigado a fazê-lo.

Podemos, de fato, ter certeza de que a castidade perfeita – da mesma forma que a caridade perfeita – jamais será alcançada por um simples esforço humano. Você tem de pedir ajuda de Deus. Mesmo ao fazê-lo, pode parecer que não houve ajuda nenhuma ou que você recebeu menos ajuda do que estava precisando. Não importa. Peça perdão depois de cada falha, levante-se e tente de novo. Muito frequentemente, o que Deus nos ajuda a conquistar primeiro não é a virtude em si, mas somente a capacidade de sempre tentar de novo. Pois, não importa quão importante possa ser a castidade (ou a coragem, ou a veracidade, ou qualquer outra virtude), esse processo nos ajuda a treinar os hábitos da alma, que são os mais importantes. Ele cura as nossas ilusões sobre nós mesmos e nos ensina a depender de Deus. Por outro lado, aprendemos que não podemos confiar em nós mesmos nem em nossos melhores momentos, e que também não precisamos nos desesperar, mesmo na pior das situações, já que as nossas falhas estão perdoadas. A única atitude fatal seria sentar-se comodamente, contentando-se com qualquer coisa menos que a perfeição.

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9 de maio de 2011

C. S. Lewis: satisfazer desejos

Da coletânea “Um ano com C. S. Lewis”
Retirado do livro “Cristianismo puro e simples”

C. S. Lewis: satisfazer desejos
 
Nossas naturezas distorcidas, os demônios que nos tentam, e toda a propaganda contemporânea do prazer conspiram para nos fazer sentir como se os desejos aos quais estamos resistindo fossem tão “naturais”, tão “saudáveis” e tão razoáveis que seria quase perverso e anormal resistir a eles. Cartazes e mais cartazes, filmes e mais filmes, novelas e mais novelas, associam a ideia da satisfação dos desejos às ideias de saúde, normalidade, juventude, franqueza e bom humor. 

Na realidade, essa associação não passa de uma grande mentira. Como todas as mentiras poderosas, essa é baseada na verdade, reconhecida anteriormente, de que o sexo em si (com exceção dos abusos e obsessões que o cercam) é algo “normal” e “saudável”. A mentira está na sugestão de que qualquer ato sexual ao qual possamos ser tentados a qualquer momento também é saudável e normal. Ora, isso é uma bobagem, sob qualquer ponto de vista, mesmo fora do cristianismo. A entrega a todos os desejos obviamente leva a impotência, doença, inveja, mentira, disfarce, e a tudo que é oposto a saúde, ao bom humor e a franqueza.

Continua em C. S. Lewis: possível ou impossível?

C. S. Lewis sobre sexo

Da coletânea “Um ano com C. S. Lewis”
Retirado do livro “Cristianismo puro e simples”

C. S. Lewis sobre sexo


A castidade é a menos popular de todas as virtudes cristãs. Não há como escapar dela; a regra cristã é: “Ou o casamento, com total fidelidade ao cônjuge, ou a abstinência total”. Isso é tão difícil e contrário aos nossos instintos que, obviamente, ou o cristianismo está errado, ou o nosso instinto sexual, como é hoje, está errado. Ou uma coisa, ou outra. É claro que, como cristão, acredito que é o instinto que está errado.


Porém, tenho outras razões para pensar assim. O propósito biológico do sexo é gerar filhos, da mesma forma que o propósito biológico de comer é alimentar o corpo. Agora, se comermos quando bem entendemos, é quase certo que acabaremos comendo demais. Mas não além dos limites. Uma pessoa pode até comer por duas, porém, não será capaz de comer por dez. O apetite pode até extrapolar um pouco o seu propósito biológico, mas não extraordinariamente. Se um jovem saudável resolvesse satisfazer o seu apetite sexual sempre que quisesse, e se todo ato sexual gerasse um bebê, então, em dez anos, ele seria facilmente capaz de povoar um vilarejo. Um apetite desses iria muito além de sua função, de forma ridícula e ilógica. 

Ou veja de outra forma. Imagine uma grande plateia reunida para ver um strip-tease, isto é, uma mulher despindo-se em um palco. Agora, suponha que você chegasse a uma vila onde seria possível encher um teatro apenas trazendo para o palco um prato coberto e levantando o pano bem devagar, deixando todo mundo ver, pouco antes do apagar das luzes, que ele contém um bom pedaço de carne de carneiro ou de bacon. Será que você não pensaria que naquele lugar há algo errado com o apetite por comida? E um ser que tivesse sido criado em um mundo diferente do nosso não acharia que algo igualmente estranho está acontecendo em relação ao instinto sexual entre nós?

Continua em C. S. Lewis: satisfazer desejos

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